Qual será o destino deste blogue?
Aos meus amigos
Creio que fui muito ambiciosa ao pretender gerir dois blogues simultaneamente. Provavelmente este irá acabar por "morrer". Se isso acontecer poderão continuar a seguir-me no site abaixo, onde desde já são sempre bem-vindos
http://www.docaosaocosmos.blogspot.com/
Por lapso, no endereço do blog (ver abaixo) falta um e. Peço desculpa pela gralha mas é mais fácil assumir a gralha do que estar a criar um novo blogue ...
Espero a vossa compreensão
http://www.reflexoeseinterferncias.blogspot.com
Setembro de 2018
Confirmaram-se as minhas previsões sobre a efemeridade deste blogue.
Inativo desde 2010, pretendo agora dar-lhe continuidade mas alterando a sua função.
Vou dedicá-lo essencialmente aos mais jovens, nomeadamente postando textos de vários autores, incluindo textos meus inéditos ou inseridos nos livros que tenho publicado para o público infanto-juvenil.
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
A importância da música na formação de crianças e jovens
sábado, 6 de outubro de 2018
E porque ontem foi 5 de Outubro....
Vou deixar também um outro vídeo para os mais crescidos
quinta-feira, 27 de setembro de 2018
IRON MAN ou uma história muito bonita…
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
ciência e poesia no dia a dia...



Podíamos também perguntar:
Porque é azul o céu? Porque fica avermelhado ao pôr do sol?
O vídeo que segue vai tentar responder....
https://www.youtube.com/watch?v=bTJBpSWNiiM
Se encontrarem ciência escondida em algum lugar, não a deixem escapar…
domingo, 23 de setembro de 2018
A coroa falsificada...
Por certo Hieron era um rei desconfiado.
sábado, 22 de setembro de 2018
E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos?
Retomando este blogue.....
Vou dedicá-lo essencialmente aos mais jovens, nomeadamente

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Mensagem de Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
Recomeça….
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
Miguel Torga
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Para isso fomos feitos...
Gostaria de partilhar convosco alguns poemas de Natal
Não sei se todos se aperceberam que poemas de Natal era a porta de entrada para um link. Bastava clicar. Para aqueles que o não fizeram coloco aqui o poema que surgiria e que considero belíssimo
Poema de Natal
Vinicius de Moraes
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros. coitadinhos. nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra. louvado seja o Senhor!. o que nunca tinha pensado comprado.
Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.
Cada menino abre um olhinho na noite incertapara ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha, salta da cama, corre à cozinha mesmo em pijama.
Ah!!!!!!!!!!
Na branda macieza da matutina luz aguarda-o a surpresa do Menino Jesus.
Jesus o doce Jesus, o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho do Pedrinho uma metralhadora.
Que alegria reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas, fuzilava tudo com devastadoras rajadas e obrigava as criadas a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está! E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá fingiam que caíam crivados de balas.
Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade, de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.
António Gedeão
Litania para este natal
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Num sótão num porão numa cave inundada
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Dentro de um foguetão reduzido a sucata
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Numa casa de Hanói ontem bombardeada
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Num presépio de lama e de sangue e de cisco
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Para ter amanhã a suspeita que existe
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Tem no ano dois mil a idade de Cristo
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Vê-lo-emos depois de chicote no templo
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
E anda já um terror no látego do vento
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
Para nos vir pedir contas do nosso tempo
David Mourão-Ferreira
Natal 2005
O menino sorri sobre as palhinhas, e cintilam as luzes do pinheiro,
e mesa está repleta de iguarias e à sua volta há muito comensal,
muitos adultos, algumas criancinhas.
Por entre a excitação o sono espreita mas a hora de deitar não se respeita,
é preciso receber o Pai Natal, com todos os presentes.
Atravessa o ar, em galopada, um tropel de palavras fugidias:
uma boneca, um avião, uma consola, uma casinha, um helicóptero, uma bola,
um robot, um mecano, uma pistola um triciclo, uma prancha, uma viola….
Isolo-me de tanta confusão e penso com saudade nos ausentes
cuja imagem é cada vez mais desbotada.
Levanto-me num gesto sorrateiro, vou à janela e ninguém dá por nada.
É Natal.
No passeio em frente, deitado no chão, dorme um mendigo, coberto com um jornal.
Regina Gouveia
Natal 2008
É Natal
Um enxame de luzes adeja na cidade
As ruas crepitam de música e de gente
que, apressadamente,
embrulha em consumismo o normal egoísmo,
transformado em amor e em fraternidade
Mas logo o Natal cessa
e então tudo regressa
à habitual normalidade.
Regina Gouveia
Natal 2006
Inexorável o tempo avança como um rio que flui
em direcção ao mar das memórias que sedimenta ou dilui.
Mas eis que, de novo, em cada natal se repete a magia
de voltar a ser criança por um dia
Regina Gouveia
E para os mais pequenos…
(Do livro Ciência para meninos em poemas pequeninos, de Regina Gouveia com ilustrações de Nuno Gouveia)






